Coronavírus e outras peculiaridades, marcam as eleições 2020

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Uma eleição pautada pelo coronavírus e, por isso, cheia de peculiaridades. É dessa forma que cientistas políticos e dirigentes partidários enxergam as eleições municipais 2020, mesmo que elas sejam adiadas. Para os especialistas, o pleito se transformará, na prática, em um grande referendo sobre a atuação de prefeitos e prefeitas em relação à pandemia, bem como da recuperação econômica após a quarentena.

Para eles, entretanto, ainda é difícil prever se isso significará uma taxa de reeleição maior ou menor. Segundo o cientista político Antônio Lavareda, durante períodos de crise, menos prefeitos costumam ser reeleitos.

Especialistas.

“Desde quando começou a reeleição para prefeitos, a taxa de reeleição teve seu pico em 2008, quando chegou a 67%. O menor índice foi na última eleição municipal de 2016, de 47%, muito influenciada pela crise que veio depois das manifestações de 2013”, afirma Lavareda. Ou Seja, ao lembrar que após 2014 muitos estados, a exemplo do Rio, praticamente quebraram financeiramente e chegaram a ficar sem pagar servidores e fornecedores.

Contudo, o cientista político Fernando Schuler, do Insper, pondera que, com exceção de Bolsonaro, prefeitos, governadores e presidentes ao redor do mundo viram sua aprovação crescer durante a pandemia, não diminuir.

“O debate que envolve a questão urbana, desenvolvimento da cidade, fica prejudicado e a grande questão passa a ser a própria pandemia e a reação que teve em relação à a pandemia, e a recuperação imediatamente”, afirma.

Além disso, políticos e líderes partidários acreditam que a pandemia tende a fazer com que o eleitor busque quem representa maior estabilidade. Os cientistas políticos, nesta mesma linha, minimizam a possibilidade de uma onda de neófitos ser eleita, como ocorreu em 2018 com Wilson Witzel, Romeu Zema, Comandante Moisés e outros. A memória do passado de gestões bem avaliadas pode prevalecer. Por isso, muitos partidos já começam a escalar ex-prefeitos bem avaliados.

“Essa eleição não é para aventuras. As pessoas vão querer mais segurança, num sentido amplo, e devem apostar em candidatos que deixaram boas lembranças”, explica o deputado federal José Guimarães (PT-CE), coordenador do grupo de trabalho eleitoral do PT. O partido pretende lançar ex-prefeitos em algumas das principais cidades, como é o caso de Luizianne Lins, em Fortaleza.

O presidente do PSB nacional, Carlos Siqueira, também crê que a pandemia possa favorecer políticos já conhecidos.

“Como ainda não teremos vacina para a Covid-19, certamente haverá algum grau de confinamento do eleitor e pouca campanha na rua. Nomes tradicionais tendem a levar vantagem, principalmente em cidades pequenas, médias e talvez nas grandes. Mas não se deve descartar alguma novidade, tamanho o grau de desgaste da político”, diz Siqueira.

Conclusão.

 

A agenda da próxima eleição deve ser a saúde e a economia, tanto pelo lado da recuperação de empregos e crescimento, quanto pelo agravamento das desigualdades. Questões como a falta d’água e saneamento ficaram mais evidentes em razão da Covid-19, afirma José Álvaro Moisés, cientista político e professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Contudo, em São Paulo, maior colégio eleitoral do pais, por exemplo, ainda não se sabe quem será o candidato do presidente. O apresentador José Luiz Datena tem se distanciado de Bolsonaro nas últimas semanas. Hoje, o candidato mais viável para ter o apoio do presidente seria Celso Russomano, do PRB. Mas há resistência porque não é tido como “raiz”. O segmento evangélico não se empolga com Russomano. No Rio, o mais identificado com Bolsonaro é o prefeito Marcelo Crivella, cujo governo é muito mal avaliado.

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